terça-feira, 22 de dezembro de 2009

22 de Dezembro

22 de Dezembro de 2007

Sem expectativas acordei e olhei para as paredes sujas do meu quarto, pratos e copos quebrados em cima da pia da cozinha, não me inspirou nenhuma sensação ou sentimento que fosse de aceitação ou o inverso, antes que eu pudesse coçar os olhos um pensamento me surgiu, feliz estava por aquele pensamento ter me surgido em hora tão inoportuna, me deparei então com um grande ponto de interrogação. Até aquele momento não tinha parado para pensar nos meus atos e o que eu poderia me tornar agindo daquela forma, por alguns anos fui consumido por uma felicidade instantanea e passageira, sendo superficial, fútil e mesquinho, convivia com pessoas falsas, minhas atitudes eram falsas, minhas palavras, meus pensamentos, meu sorriso, minha vida era falsa, me da nojo em pensar que me tornei um deles; tinha me tornado um monstro, caráter, personalidade, sentimentos, familia, tudo foi deixado de lado para que eu pudesse ser alguém com caracteristicas que eu sempre reprovei, observava e procurava entender o porque daquilo, qual o prazer disso? Essas pessoas são felizes? São capazes de amar? Quanto tempo demorar para a loucura dominar a mente dessas pessoas? Demorou mas encontrei as respostas, e descobri da pior forma, foi necessário uma drástica mudança digo também que foi involuntária, fui dominado, em um momento de fraqueza, de constantes brigas com minha outra face, acabei sendo um boneco, que obedece rigorosamente as tendencias, entrei no culto do corpo perfeito, da pessoa perfeita, do namorado, do filho, do marido, do cidadão perfeito, essa maldição é vista em todos os lugares que frenquentamos, em todas as palavras que lemos, em todas as imagens que vemos, em todos os sons que escutamos, enfim um boneco, vazio por dentro e com muita porcaria por fora, não é fácil para mim admitir isso, mas tratar desse assunto dessa maneira alivia um pouco do aperto que tenho em meu coração. Não aguentei muito tempo, a loucura me dominou, não consegui mais encontrar satisfação na falsidade, meu corpo pedia minha mente não atendia, um louco enfurecido, que só iria parar quando a última gota de sangue misturada com suor escorresse pelo rosto; lembanças, memórias e rostos me acalmaram, percebi que minha velha personalidade ainda estava viva, me fez sair da fantasia e voltar para o mundo, encarar como não é possivel viver só de aparencias, engana-se que acredita nessa teoria, pode até funcionar por algum tempo, mas não só de embalagem é constituido um produto.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

ZOO


Quem sabe o que se passa ultimamente com as nuvens? Parece que não desejam mais fazer sombra para os flagelados humanos, sem teto, sem alimento, sem espirito, sem alma, sem vida. A todos nós que partilharmos de um único espaço, para executar as atividades pré-determinadas por nosso sub-consciente, nos resta questionar ou apenas aceitar as condições climáticas, socias e politicas que vivemos. Conseguimos claramente ver a grande selva que habitamos, não cheia de mato, vegetação, floresta, mas com muitas peças inorganicas e sintéticas que pelo contexto são iguais a todos selvagens que construiram e que se utilizam delas, como se fosse um desfile da fauna bipede, presenciamos a batalha de egos e personalidades mesquinhas, que facilmente são manipuladas pelo tal do capitalismo, essas pessoas são ótimos instrumentos para esse tipo de organização financeira, pois só essas pessoas conseguem manter o consumismo vivo, sem se preocupar com o que pode acontecer daqui a dois segundos, consequecias ruins que foram desencadeadas por mal uso do poder e descaso com os desolados filhos da mesma nação. Pode ser que as nuvens não nos fazem mais sombra, por ter vergonha de observar lá de cima toda essa sujeira que aqui é fabricada, praticada, executada, ou qualquer outra forma de fazer isso acontecer.